Opinião: O que ficou para o Brasil?

Sobre a votação ocorrida na Câmara dos Deputados no último dia 02 de agosto 2017.
Tivemos a oportunidade de mudar a cultura política, mesmo que não da maneira necessária. Mas, o que vale no momento hoje? Imediatismo ou mediatismo? Vale justificar, sob o argumento de estabilidade econômica, a manutenção de um presidente da república com denúncias graves de cometimento de crimes durante exercício do mandato? Mesmo que a referida estabilidade possa não existir mais em um espaço curto de um ano, em razão das eleições de 2018?
Se há décadas o discurso no país é de que no Brasil ninguém é punido, qual a conclusão? Houve alteração do discurso ou confirmação indiscutível? Não custa lembrar que estamos falando do cargo máximo do Poder Executivo.
Qual a mensagem encaminhada à população desde as articulações na comissão especial, com troca de relator e distribuição de emendas parlamentares (muita gente já havia até esquecido ou até não sabia disso)? Houve distanciamento ou aproximação do interesse na política?
Qual a mensagem e estímulos passados à classe política atual sobre ser inatingível durante o mandato?
Com uma população carente que se espelha nas autoridades, mal instruída e que sequer lembra em quem votou até para o legislativo municipal, o discurso de “vamos fazer a limpa em 2018” vai ser realmente colocado em prática?
Independente da resposta a cada uma das perguntas, a mensagem passada ao exterior foi a de que o povo brasileiro é conivente com corrupção por conveniência, nossas vozes são representadas por políticos com as mesmas características e que comandam instituições nada confiáveis. Ponto. Esse é o retrato do Brasil, que há quase um século é chamado de país do futuro, mas que ficou no passado.
*Artigo publicado no Linkedin em 03 de agosto de 2017: https://www.linkedin.com/pulse/o-que-ficou-para-brasil-glauco-artur-ribeiro-de-assun%C3%A7%C3%A3o/